Poltergeists, ovelhas negras e propósito de vida

Particularmente eu não me imaginava dando aulas de baralho cigano e tarot, considerando minha leve antipatia com os charlatões da adivinhação e da magia. Mas o mundo dá voltas, e foi através do contato com os oráculos que levantei o véu de ilusões que me impedia de ver as verdades espirituais que, até então, me eram ocultas. Nesta ocasião não irei me aprofundar sobre o que me introduziu às artes divinatórias e que consequentemente me motivaram a dar aulas, isto pode ficar para outra ocasião, todavia, aprendemos tanto lecionando que esta é uma experiência que não poderia deixar de compartilhar.

Um contexto kármico

Quase todos aqueles que despertam para as artes divinatórias possuem uma trajetória ou história interessante, e com R. (vou chamá-la assim para preservar sua identidade) não foi exceção. Quando conversamos pela primeira vez, ela falou que este “chamado” já vinha de tempos, e que no passado uma cigana disse a ela que ela tinha ‘uma questão’ com as cartas. R. me alegou que já vinha postergando os estudos há muito tempo e que não queria mais adiar, e então começamos o curso.
Parte de minhas aulas consistem em exercícios práticos onde o aluno faz uma leitura para si e me transmite suas impressões e interpretação, em uma destas ocasiões, R. me trouxe um jogo a respeito de seu relacionamento com sua mãe. O típico relacionamento onde, sob a aparência de auxílio e amparo, uma mãe castradora projeta suas sombras nos filhos. R. comentou que sua relação com sua mãe era assim há muito tempo, e que somente agora tomava consciência do quão prejudicial esta relação se tornara para o seu desenvolvimento. O jogo ilustrava exatamente o mesmo.

Um caso de Poltergeist

Do baralho caíram mais duas cartas, que R. escolheu posicionar ao lado do jogo que havia feito, e que perguntei:
– Estas duas cartas adicionais são o que?
Ela respondeu que as cartas caíram subitamente e por isso resolveu as considerar como complemento à leitura.
“Uma ruptura envolvendo uma criança” – pensei comigo. Então perguntei à ela se havia algum quadro de aborto na família, ao que ela confirmou.

Levando em consideração seu despertar espiritual e a sequência de acontecimentos em sua vida, que levaram R. a se instruir nas artes divinatórias, pude ver claramente uma voz que intencionava ser ouvida no oráculo. Uma vida negada que encontrou na ovelha negra uma brecha de luz e a oportunidade de ser encaminhada e quebrar o padrão de repetições na linhagem familiar.

Me recordei que em certa ocasião, há muito tempo atrás, enquanto realizava minhas tarefas domésticas sozinho em casa, ouvi soar a corda do violão que ficava no suporte, sem nenhuma força aparente que pudesse fazê-lo. “Mi” pensei comigo, era o som da primeira corda. Fiquei surpreso com o ocorrido, tentando encontrar alguma explicação plausível, sem sucesso. Alguns dias depois, em uma cerimônia espiritual uma pessoa que frequentava o ambiente e canalizava um espírito mensageiro, disse para mim:
Não precisa se alarmar, amigo. Eu guardo a sua casa e estou sempre por perto.
Eu, pensativo e com meu caráter investigativo, perguntei:
Dias atrás, enquanto eu estava em casa, eu ouvi meu violão tocar sozinho. Era você?
Ele riu e disse: Não era eu.
Quem era então? – indaguei, colocando à prova o que me dissera antes.
Ele respondeu: Vou te dizer… é assim olha. – fazendo um gesto com a mão indicando como se fosse um ser de baixa estatura. e continuou em um tom sarcástico: Mas não precisa se preocupar, você toca bem melhor! Hahaha

O que ele quis dizer é que se tratava de um Poltergeist, ou seja, a manifestação de uma criança desencarnada. Um espírito ‘brincalhão’ que costuma ser associado à estas ocorrências físicas, como deslocamento de objetos, sons, etc.
É comum que estes espíritos, se não encaminhados, acabem drenando a energia daqueles com quem se associam. São inúmeros os casos de pessoas que com o passar do tempo desenvolvem um quadro depressivo ou, na pior das hipóteses, suicida, sem ao menos saber que há alguma influência ou porque houve um aborto na família. E a ovelha negra é a única que tem coragem suficiente para adentrar a escuridão da cripta familiar e de lá fazer brilhar a luz.

Bert Hellinger dizia: “As chamadas ‘ovelhas negras’ da família são, na verdade, caçadores natos de caminhos de libertação para a árvore genealógica.
Os membros de uma árvore que não se adaptam às normas ou tradições do sistema familiar, aqueles que desde pequenos procuravam constantemente revolucionar as crenças, indo na contra-mão dos caminhos marcados pelas tradições familiares, aqueles criticados, julgados e mesmo rejeitados, esses, geralmente são os chamados a libertar a árvore de histórias repetitivas que frustram gerações inteiras. As “ovelhas negras” as que não se adaptam, as que gritam rebeldia, cumprem um papel básico dentro de cada sistema familiar, elas reparam, apanham e criam o novo e desabrocham ramos na árvore genealógica. Graças a estes membros, as nossas árvores renovam as suas raízes. Sua rebeldia é terra fértil, sua loucura é água que nutre, sua teimosia é novo ar, sua paixão é fogo que volta a acender o coração dos ancestrais.
Incontáveis desejos reprimidos, sonhos não realizados, talentos frustrados de nossos ancestrais se manifestam na rebeldia dessas ovelhas negras procurando realizar-se. A árvore genealógica, por inércia, quererá continuar a manter o curso castrador e tóxico do seu tronco, o que faz a tarefa das nossas ovelhas um trabalho difícil e conflituoso.
No entanto, quem traria novas flores para a nossa árvore se não fossem por elas? Quem criaria novos ramos?
Sem elas, os sonhos não realizados daqueles que sustentam a árvore gerações atrás, morreriam enterrados sob as suas próprias raízes. Que ninguém te faça duvidar. Cuida da tua “raridade” como a flor mais preciosa da tua árvore.

Tu és o sonho de todos os teus antepassados.

Bert Hellinger

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Texto: Leo Gitano

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