Série: O Segredo do Templo

Tem um seriado muito legal na Netflix que se chama O Segredo do Templo que fala sobre Göbekli Tepe . É um prato cheio para quem gosta da temática mística e teoria sobre como os Deuses surgiram na civilização.

Já ouviu falar sobre Göbekli Tepe?

“Pensávamos que a agricultura fosse a mãe das cidades, da escrita e da arte. Agora o templo mais antigo do mundo sugere que a civilização nasceu do impulso da devoção.”


Em um pico nas Montanhas Taurus, situado ao norte da fronteira com a Síria, perto da antiga cidade de Sanliurfa, foi descoberto o mais antigo complexo de templos de pedra no mundo, foi construído há 11,5 mil anos, milênios antes das pirâmides do Egito, ele é formado por grandes blocos de pedras (monumentos megalíticos) organizados em círculos e pontuados por grandes pilares de cerca de 5,5 metros de altura adornados com esculturas de animais selvagens. Gobekli Tepe tem a construção muito sofisticada em alguns aspetos para sua época, principalmente quando se compara este a outros sítios famosos no globo, como a Grande Pirâmide de Gizé (2560 a.C.), as estátuas da Ilha de Páscoa (500 d.C), as inusitadas pedras em Stonehenge (3100 a.C).

A civilização nasceu do impulso da devoção

pesquisas mostraram que o local está alinhado com algumas constelações, como Taurus, Orion e Plêiades — como é que eles tinham noção exata disso há 11000 anos? Outra curiosidade é o facto de que os construtores enterravam o círculo de pedras propositadamente depois de algum tempo e abriam outro igual ou bastante similar um pouco mais adiante, enterrando de novo depois de certa época e assim por diante. O professor Klaus Schmidt, arqueólogo responsável pelas escavações e pesquisas disse o seguinte sobre esse mistério do templo:
“Eles eram extrativistas”, diz Schmidt, ou seja, viviam da coleta de plantas silvestres e da caça. “A idéia que tínhamos dos coletores sempre fora de grupos pequenos e nômades de algumas dezenas de pessoas. Não podiam construir estruturas permanentes, pensávamos, porque precisariam se deslocar em busca de recursos. Não podiam manter nenhuma classe especial de sacerdotes e artesãos, pois não podiam transportar todos os suprimentos extras para alimentá-los. Mas eis Göbekli Tepe, uma prova de que eles faziam tudo isso”. Descobrir que caçadores-coletores construíram Göbekli Tepe foi como descobrir que alguém montou um Boeing 747 em um porão usando um estilete. “Eu, meus colegas, todos nós ficamos perplexos”, conta Schmidt. Paradoxalmente, o sítio pareceu ser ao mesmo tempo arauto do futuro mundo civilizado e o último, o mais grandioso emblema de um passado nômade que estava desaparecendo.

Göbekli Tepe, na opinião de Schmidt, sugere um cenário inverso: a construção de um templo por um grupo de extrativistas é indício de que a religião organizada pode ter surgido antes da agricultura e dos outros aspectos da civilização. Sugere que o impulso de se reunir para rituais sagrados nasceu quando os seres humanos deixaram de se ver como parte do mundo natural e passaram a buscar o domínio sobre a natureza. Quando os extrativistas começaram a se fixar em povoações, criaram uma divisão entre a esfera humana – o aglomerado fixo de casas com centenas de habitantes – e a perigosa terra além da fogueira, povoada por animais mortíferos.

O arqueólogo francês Jacques Cauvin supôs que essa mudança de mentalidade foi uma “revolução de símbolos”, um desvio conceitual que permitiu aos seres humanos imaginar deuses – seres sobrenaturais à semelhança do homem – em um universo fora do mundo físico. Schmidt vê Göbekli Tepe como uma evidência em favor da teoria de Cauvin. “Os animais eram guardiões do mundo dos espíritos”, diz. “Os relevos esculpidos nos pilares em ‘T’ ilustram esse outro mundo.”

Schmidt imagina que os extrativistas que viviam em um raio de 160 quilômetros de Göbekli Tepe tenham criado o templo como um local sagrado para se reunir em eventos, e talvez trazer presentes e tributos a seus sacerdotes e artesãos. Teria sido preciso algum tipo de organização social não só para construir mas também para lidar com as multidões que o lugar atraía. Podemos imaginar cantos e tambores, os animais nos grandes pilares dando a impressão de se moverem à luz bruxuleante das tochas. Decerto havia festas; Schmidt descobriu bacias de pedra que talvez tenham sido usadas para cerveja. O templo era um locus espiritual, mas também pode ter sido a versão neolítica da Disneylândia.

Complexidade Incomum

Os cientistas Gil Haklay, da Autoridade de Antiguidades de Israel, e o professor Avi Gopher, do Departamento de Arqueologia e Civilizações Antigas do Oriente Próximo da Universidade de Tel Aviv, encontraram recentemente evidências de que a construção foi planejada como uma só estrutura. Com a ajuda de um algoritmo que investigou os padrões do desenho arquitetônico, eles verificaram que as construções que compõem o santuário estão dispostas de maneira que formam um triângulo equilátero quase perfeito — o que pode indicar que havia um padrão geométrico intencional por trás do projeto.

Perguntas Sem Respostas

De acordo com os arqueólogos de plantão, nessa época os homens ainda eram nómadas ou caçadores, e a agricultura ainda dava seus primeiros passos no planeta Terra. Então, de onde veio a tecnologia das construções? Onde os caras arrumaram mão de obra especializada para construir todo o complexo? Como sustentaram os operários e onde os abrigaram? Como eles poderiam ter conhecimentos exatos e extremamente avançados de astronomia, arquitetura e matemática? Pois é, ninguém sabe ainda.

Por fim, vale lembrar que, assim como outras civilizações avançadas ao longo da História, os habitantes de Göbekli Tepe também desapareceram misteriosamente.

Por Adriana R.

Referências:
National Geographic
BBC
Mega Curioso

Deixe uma resposta